03 janeiro, 2010

"O homem maravilha-se com a magia das estrelas, a vastidão do mar, a altura das montanhas e se esquece de que ele próprio é uma maravilha do Universo."

Santo Agostinho

25 dezembro, 2009

Saldo

os passos são largos agora
mas e mais do que antes

mãe, eu cresci


Elenise Penha

26 novembro, 2009

"I know a place not far from here
It's secret place
In each others' arms
And for this cause we will light the fire
Come fuel the fire
A secret place in a lover's arms

Don't keep away"

01 novembro, 2009

Tempo precisa

o relógio precisa
o tempo.
tudo que precisamos
é que ele pare
e tire férias.

Elenise Penha

18 setembro, 2009

Entonação



daquele amontoado de palavras
surgiu um poema
cada um lia de um jeito
fizeram filme, fizeram peça, mudaram palavras
outros olhos, outras vezes
diversas interpretações
ouviu-se ecos, ouviu-se aplausos:
a graça... a maior graça está em dizer

e como quem diz a uma platéia
o dono do poema que não é seu abre os braços para o alto e diz:
- vai!

Elenise Penha

31 agosto, 2009

Soul
amor cercado de carne por todos os lados

Elenise Penha

26 agosto, 2009

A quem convém (II)

"Eu te amo como quem esquece tudo
diante de um beijo:
as inúmeras horas desbeijadas
os terríveis desabraços
os dolorosos desencaixes
que meu corpo sofreu longe do seu."

Escolha, Elisa Lucinda

10 agosto, 2009

às dificuldades dos dias



quero o simples.
talvez silêncio; às vezes.
quero o respirar fundo. quero o fechar os olhos. olhar profundo nos olhos. simples assim. no silêncio.
um sorriso.

quero o simples.
o amanhecer talvez; é bom.
quero o cheiro verde escuro. vento nas árvores da montanha grande. a distância. nem tão simples assim.
é preciso olhos treinados.
uns pés no chão.

quero e desejo ele todos os dias.
não simples nem fácil; talvez assim.
muitas vezes silêncio.
olhos cansados no fundo. respiração encardida.
da vida.

Elenise Penha

27 julho, 2009

Teto. Morada do Sol.
Seu canto. Spatium. Pasto.
Dona de casa ávida. Suas tristezas escondidas.
Suas lágrimas solitária ao cortar cebola.
Onde você se veste e guarda amores.

Ou o faz.

Você sozinho seu teto seu lugar sua bagunça. Sua casa.
Você e seus pertences.
Chuva ou Sol. Quente ou frio.

Cheio de si ou de outro.

Elenise Penha

26 julho, 2009

Melanc(ol)ia



A palavra melancolia

me lembra melancia

mas esta é um riso só.


Elenise Penha

13 julho, 2009

Queixa-se o poeta em que o mundo vai errado, e querendo emendá-lo o tem por empresa dificultosa
Gregório de Matos e Guerra


Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo. (...)

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos. (...)



08 julho, 2009

Negro preto cor da noite,
Nunca te esqueças do açoite
Que cruciou tua raça.
Em nome dela somente
Faze com que nossa gente
Um dia gente se faça!

Lino Guedes

não sou a manhã nem a noite
talvez o entardecer
suas nuances amarelas,
seus cabelos vermelhos a crescer

sou inferno e céu
sossego negado, de sol a sol
pestanas e pele torradas
fogueira santa de sonhos


a noite veio antes de mim, foi de onde eu nasci
e a ela retorno
por causa das manhãs


Elenise Penha

(não) neg(r)o

Dedicatória a quem convém

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho lind(o)
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

Dialética, Vinícius de Moraes

03 julho, 2009

um abril modificado

olhos os hematomas que tenho
e a bagunça que carrego
penso no futuro,
como se fosse hoje
bagunça
toda essa bagunça em que vivo
espalhada aos quatro cantos
me dão nos nervos
(coisa que deixei de ter a partir do momento em que soube de que eram feitos)
o tempo me tortura
e se esvai
escorre por entre os meus dedos
sem eu ao menos tocar
as paredes sempre mudam
o espelho não mais vejo
tudo aperta cada vez mais
então vem...

a raiva

... e a fraqueza

e os dias continuam gritando...

Elenise Penha
“Não conheço prazer como o dos livros, e pouco leio. Os livros são apresentações aos sonhos, e não precisa de apresentações quem, com a facilidade da vida, entre em conversa com eles. Nunca pude ler um livro com entrega a ele; sempre, a cada passo, o comentário da inteligência ou da imaginação me estorvou a seqüência da própria narrativa. No fim de minutos, quem escrevia era eu, e o que estava escrito não estava em parte alguma.”

Fernando Pessoa

21 junho, 2009

apesar de não deitar-se sempre assim
acordava só
todos os dias
e assim continuava...


porque se morre e se vive

só

15 junho, 2009

a arte de tremer no isso...

09 junho, 2009


É muito querer que aquilo que você quer se realize?
Tenho ânsia e mais ânsias.
Anseios e vontades.
Sinto vontade de vomitar quando olho à volta.
Sinto vontade de gritar quando estou envolta.
Sou diferente, bem diferente de todos e de tudo isso.

Às vezes correr é preciso.
Não importa o sentido. Não importa o local.

Muito já não importa mais pois o que mais importava já foi importado.
Talvez não volte.


Queria tanto, tanto. E fico de boca fechada.
o infinito me atrai

ÂNSIA

tenho náuseas só de pensar